Categoria: Portal da Teia 2020

CARTA AOS POVOS

Por Joelson Ferreira e Solange Brito Companheiras e companheiros da Teia dos Povos, Apoiadores e apoiadoras das lutas dos povos no Brasil e no Mundo, Com a licença de nossos encantados, Nosso profundo respeito àqueles que tem a missão de cuidar e guardar as sementes. A essas mulheres e homens todo nosso respeito, pois estão guardando consigo a força da vida! Nós da Teia dos Povos estamos reafirmando todo tempo que é preciso voltar ao princípio e às coisas simples para reconectar com a mãe terra. Dentre os princípios está

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Diários da Pandemia #10: na linha de frente – Alto Xingu

A medicina do homem branco e o saber ancestral dos Povos Originários de mãos dadas na luta contra a COVID-19. Hoje eu presenciei meu primeiro óbito por covid. Seu Ogopa, um pajé de 79 anos. Fui para o Kuluene de avião, pois ele havia piorado. Estava saturando a 60%, cansado. Quando cheguei ele estava no oxigênio, mantendo saturação entre 60 e 70, apesar do tratamento contínuo. Os pajés trabalhavam, a família fazia de tudo. Carinho, comida, cuidados. Seus filhos e netos estavam muito abalados, chorando. Entendiam que ele não deveria

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Diários da Pandemia #9: Wesley Teixeira – Movimenta Caxias (RJ)

Em Duque de Caxias (RJ),  a organização popular autônoma  na luta pela saúde e por melhores condições de vida. O Movimenta Caxias já existe desde 2017. Começamos pensando sobre o momento atual, discutindo de forma coletiva, pensando em como aquecer as lutas e intervir no mundo virtual e real. Foi uma articulação de pessoas que não estavam ligadas a política tradicional da cidade. Cidadãos e cidadãs que queriam pensar uma cidade para se viver e não uma cidade voltada para o lucro. Duque de Caxias é uma cidade rica com

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Diários da Pandemia #8: Opetahra e a ressurgência do Povo Puri

O ressurgimento Puri: o sangue dos nossos ancestrais grita e se agita para revelar para ao mundo a sua existência. Este artigo é baseado em TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) apresentado em 2020 à Universidade Federal de Viçosa como requisito para obtenção do título de Licenciatura em Educação do Campo – Ciências da Natureza. Onde estavam os indígenas Puri quando o sistema os dava como extintos? Nós estamos aqui, vivos! Orando, rezando, curando, plantando, lutando, resistindo e ressurgindo. Nós Puris, considerados povo extinto reivindicamos nosso direito a identidade indígena.

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Diários da Pandemia #7: Luciene Silva e a Rede de Mães da Baixada Fluminense (RJ)

A luta coletiva contra a violência do Estado e o genocídio do povo pobre e preto. A Rede de Mães e Familiares Vítimas de Violência da Baixada Fluminense, surgiu em 2005 logo após a Chacina da Baixada. De início seria uma associação chamada AFAVIVE (Associação de Familiares e Amigos de Vítimas de Violência). Só que decorrer do tempo as pessoas que iriam formar esta associação se dispersaram e se desmobiliaram. Sem apoio e o mínimo de estrutura, esta iniciativa não saiu do papel. Assim, alguns familiares continuaram a participar de

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Diários da Pandemia #6: “Sim! Eu Sou do Meio” – Belford Roxo (RJ)

A luta por autonomia, emancipação e liberdade e pela transformação territorial em Belford Roxo (RJ): Sim! Eu Sou do Meio. “Sim! Eu Sou do Meio” (SESM) no contexto da PANDEMIA em Belford Roxo! Desde de março, estamos mobilizando esforços para atender as mulheres que estão diretamente ligadas ao projeto, e mulheres de Belford Roxo que chefiam seus lares com alimentação, material de higiene, limpeza, frutas e legumes, neste período de distanciamento social. Isto porque, várias mulheres que fazem parte do projeto e do território que atuavam em postos de trabalho

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Diários da Pandemia #5: junto ao Povo da Rua no Rio de Janeiro (RJ) – 02

Acompanhando a quarentena junto ao Povo da Rua, os mais desassistidos e vulneráveis, aqueles cuja casa é a própria rua. 27/03/2020 Três quentinhas a serem distribuídas uma vez por semana para pessoas em situação de rua. Esta foi a orientação recebida em julho de 2016 por Lúcio Sanfilippo, da força chamada Seu Tranca Rua das Almas. Assim começou um trabalho que frutificou. Quase 4 anos depois, hoje são distribuídas semanalmente cerca de 80 quentinhas. Para quem vive em situação de rua, a dificuldade de conseguir água potável é quase como

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Diários da Pandemia #4: na tríplice fronteira Norte (Brasil-Colômbia-Peru) (AM)

Na fronteira Amazônica entre Brasil-Colômbia e Peru, a omissão do Estado como parte da política de extermínio da população vulnerável. Bom dia, gostaria de enviar meu relato aqui da fronteira amazônica. Benjamin Constant, município brasileiro situado na tríplice fronteira amazônica cidade de 40 mil habitantes com uma relação comercial e cultural com os povos da fronteira e uma população indígena bastante significativa, que trava uma batalha árdua para tentar manter seus munícipes salvos da pandemia. O município tem apenas uma unidade hospitalar mista de média complexidade onde não se tem

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CAMINHOS DAS SEMENTES #1: O CHAMADO À PARTILHA DO MILHO CRIOULO PARA A CONSTRUÇÃO DA AUTONOMIA E DO BEM-VIVER

Por Mariana Cruz, Rafique Nasser e Joelson Ferreira.       Este é o primeiro texto de uma série sobre a importância das sementes de milho crioulo na conquista da soberania alimentar, da terra e território e, sobretudo, da autonomia dos povos. Um punhadinho. Dedos entrelaçados guardando, na palma de uma mão, 9 mil anos de história e ciência dos povos. Um punhadinho. Terra viva zelando, em berço escuro e quente, passado-presente-futuro. Nossas sementes crioulas cabem em punho cerrado de luta e rebeldia e, na companhia delas, a Teia dos

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PROJETO TURÍSTICO-IMOBILIÁRIO FAZENDA PONTA DOS CASTELHANOS: MEGA EMPREENDIMENTO AMEAÇA A SOBREVIVÊNCIA DE COMUNIDADES EM CAIRU (BA)

24/07/2020 É corriqueiro acompanharmos a situação de povos que têm as suas sobrevivências e autonomia ameaçadas, material e imaterialmente, pelo poder econômico representado por empreendimentos de turismo predatório. Desta vez estamos falando de comunidades pesqueiras localizadas no município de Cairu (BA). Em um vídeo postado no YouTube em outubro do ano passado é denunciado um grave esquema que envolve políticos e empresários na tentativa de possibilitar a construção de um condomínio que privatizaria 1.651 hectares da Ilha de Boipeba. Ou seja, cerca de 20% do território. A estrutura, naturalmente destinada

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